O autoconhecimento pode ajudar nos relacionamentos amorosos? – Parte 4

Continuando a jornada da Giulia, nossa aluna da Formação em Terapia de Reintegração Implícita (T.R.I.).

Hoje você saberá como foi a terapia da Giulia, em sala de aula.

E se você não leu o post anterior, não se preocupe! Basta acessar o conteúdo clicando neste link.

Um dia de sorte

Costumo ensinar que um terapeuta que não faz terapia, não é um bom terapeuta.

E com isso, durante a própria Formação eu atendo alunos, voluntariamente, durante as aulas, desde que concordem em fazer isso diante da turma.

É importante que os alunos vejam como se faz o processo da Terapia de Reintegração Implícita, ao vivo, com uma pessoa real.

E para que a coisa seja o mais real possível, qualquer aluno que precise de terapia coloca seu nome em uma urna, onde eu faço o sorteio em algum momento, mostrando aos alunos que, no consultório não há como “escolher” o cliente que chega para você.

E no caso, a Giulia, foi a grande sorteada do dia.

A terapia

Giulia, ao sentar-se na poltrona diante de todos, começou imediatamente a utilizar suas velhas defesas, aprendidas e treinadas exaustivamente por décadas, como:

– Sou uma boa pessoa. Não preciso de terapia

– Eu já melhorei muitas coisas. Já perdoei muita gente.

– Eu não guardo mágoa de ninguém.

Enfim, todos os padrões de respostas muito bem elaboradas que a maioria de nós cria – aquela máscara que falei no post anterior – para parecer uma boa pessoa, mesmo que a gente saiba que estamos sofrendo.

Porém, a verdade nunca tarda.

Assim que o processo mediativo que a Terapia de Reintegração Implícita se inicia, surge a velhíssima necessidade de mostrar a mamãe o quanto a Giulia era valorosa, boazinha, mesmo que para isso tivesse que colocar tudo a jogo.

É aquilo que normalmente chamamos de “necessidade de ser amado”, não no sentido vulgar de “paixão” ou “admiração”, mas no sentido de pertencer emocionalmente a alguém ou sistema.

Mesmo adulta, Giulia colocava-se a disposição da mamãe, não mais de forma direta, mas de forma indireta e subjetiva em cada novo relacionamento, sempre esperando ser salva, esperando que alguém lhe ordenasse em algo, esperando estar errada para alguém corrigir etc.

Uma boa menina

Claro, não estou falando de uma “regressão” de idade, ou culpando a mãe.

Esse processo de criação de script é algo instintivo, inato ao ser humano. É a capacidade que temos de memetizar o ambiente e participantes a nossa volta, sem que sequer precisemos parar para tomar conta ou querer isso.

É como um reflexo, onde o corpo se adapta a temperatura ambiente para poder sobreviver. Você não escolhe ter frio ou calor, você apenas reage se adaptando.

E para Giulia, para sobreviver naquele lar conturbado, ela aprendeu, através de décadas de sobrevivência, que ser amada significa “ser pouca coisa”.

Não incomodar, não aparecer, não ser “forte”…

E quando menos percebeu, ela estava tão imersa nesse script que tudo a sua volta representava apenas mais do mesmo. E cada tentativa de sair disso gerava apenas dor e sofrimento.

Eu sinto muito

Não conseguirei por aqui tudo o que foi feito ou trabalhado naquela intervenção – que fez boa parte da turma chorar – não porque foi algo triste, mas porque o poder do perdão e do amor é lindo, poderoso e curativo.

No momento em que Giulia percebeu que tudo o que fazia era uma forma de “sacrifício por amor a mamãe” e internamente conseguiu reconsiderar o que fazia e desenvolver uma nova atitude perante si mesma e a representação que tinha de sua mãe, tudo mudou rapidamente.

Ao abrir os olhos, sua face estava radiante, o peito aberto. Ela não acreditava que estava escondendo tanta dor – mesmo sentindo-a continuamente em seu peito por anos e anos.

Mas agora, este mesmo peito estava “leve”. Diferente, com uma sensação de limpeza que há décadas não sentia.

Era o momento para uma nova vida.

No próximo post

No próximo post você vai saber como está a vida da Giulia, após essa terapia tão poderosa, e como andam as coisas em seu casamento.

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