A masturbação faz mal?

Masturbação faz mal?

Como destravar no sexo?

Como faço para ter prazer?

Essas e outras perguntas enchiam a cabeça de Rosana, cujo caso você lerá abaixo.

Masturbação faz mal

De acordo com a OMS, o Brasil é campeão mundial em ansiedade e está entre os países com os maiores números de depressão.

Imagine uma cidade inteira, como São Paulo, com mais de 12 milhões de pessoas, e é isso que temos de pessoas sofrendo no Brasil inteiro.

É muita gente!

E é aqui que precisamos prestar atenção pois, como há uma demanda gigante por profissionais da saúde mental, há o surgimento cada vez maior de pessoas desonestas e perigosas.

Rosana (personagem que agrega inúmeras conversas que tive com clientes, homens e mulheres, em meu consultório), com 42 anos, estava para se divorciar.

Seu casamento era apenas uma fachada, já que o sentimento de vazio em seu peito a impedia de ter prazer em qualquer coisa, inclusive no sexo com seu marido.

Com base em alguma crença social, passou a acreditar que para resolver isso deveria “destravar-se” no sexo, procurando ferramentas e cursos online, até que caiu nas presas de um “terapeuta sexual quântico”.

Para esse “terapeuta quântico”, que estudou profundamente os livros de Louise Hay, Joseph Murphy e Napoleon Hill, a pobre Rosana sofria de uma memória reprimida de um abuso infantil, o que a fazia sentir o vazio e dificuldade no relacionamento sexual com seu marido.

– Mas, doutor, eu não lembro de nada disso! – Arguiu Rosana.

– Exatamente por isso que estou certo! – Respondeu o intrépido ativista quântico.

E assim continuaram por uma longa e tortuosa terapia que levou 30 sessões semanais, envolvendo aplicação manual de energia, elixires de garrafas coloridas, pêndulos e meditações para “destravar a kundalini” da Rosana.

Até que, cansado de todas as tentativas, o “terapeuta” disse-lhe:

– Para liberar essa sua energia, precisaremos de um tratamento mais forte.

– E como seria isso? – Rosana já não acreditava em nada mais.

A masturbação hipnótica

– É simples, vou conduzi-la em uma sessão de masturbação com hipnose. E ali vamos liberar sua energia e criar uma âncora positiva com o sexo.

Chocada com o que ouviu, Rosana foi para casa, prometendo pensar com calma.

Dias depois ela recebe uma mensagem do “quântico”, dizendo:

– Rosana, olha só. Acabei de fazer um curso online com um neurocientista bem famoso, que ensinou que é possível fazer a hipnose do conforto do seu lar, o que é melhor, pois você se sentirá mais segura para liberar a energia.

– E como funcionaria isso? – Rosana digitou.

– Simples demais! Basta você preparar seu computador, uma webcam, botar uma roupa bem confortável e eu vou conduzindo você daqui.

– Mas, e o negócio da masturbação?

– Isso mesmo! Você abre a webcam e, enquanto conduzo a terapia online, você apenas se masturba. Muito mais simples e seguro assim, não é?

– … (Rosana desliga o celular em silêncio)

Em prantos, Rosana percebeu que caiu em um engodo e que por meses foi enganada.

Agora, ela está sentada à minha frente, chorando e não sabendo mais o que fazer da vida – nem mesmo se quer continuar viva.

O tratamento com ela, seguindo a abordagem de Terapia Breve que ensino em minhas formações, foi rápido.

Todo o vazio que sentia vinha de um Processo Adaptativo que desenvolveu com uma mãe que preferia beber a cuidar dos filhos.

Um Processo Adaptativo tão bem formatado que, anos depois, inibia qualquer expressão emocional, tornando-a uma flor embotada.

Nunca houve um estupro.

Masturbação não faz mal nem é necessária para “liberar energia”.

Não levamos seis meses de terapia.

E, no fim, ela aprendeu a ter prazer na vida e com seu marido. 

Reflexão

Este é um resumo da terapia de Rosana. Os detalhes mais pessoais obtidos na terapia, obviamente, não coloquei aqui.

Convido você, agora, a refletir e comentar: como a Rosana poderia ter escapado – se é que isso é possível – de sujeitos assim? 

E, se você estivesse no lugar de Rosana, o que falaria a esse terapeuta quântico que usa “terapia” online para destravar sua energia sexual pela webcam?

A propósito, existem muitas outras histórias do meu consultório como essa para você ler. Confira!

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